
“Decidi usar o meu cabelo natural. Ouvi de um outro profissional que meu cabelo era cabelo de "escravo", não aceitável, selvagem e horrível... Fiquei em choque, fui para casa e chorei a noite toda. Recebi apoio de outras pessoas pretas que também tinham passado por racismo, elas me motivaram a procurar um advogado, que entrou com uma ação judicial contra o criminoso. Ganhei a causa, comecei terapia e a frequentar espaços de acolhimento voltado a mulheres negras. Superei esse trauma. O meu (cabelo) black power representa a minha ancestralidade, é a nossa força e deve ser motivo de orgulho.” - Mariana Vassequi, 27 anos, Rio de Janeiro/RJ
“Residi em Portugal de 2003 a 2013. Todas as vezes que vinha passear no Brasil, eu ficava retido pela Política Federal. Minha esposa, branca, e meus filhos, pardos, sempre passavam.” - Elton Santos, 43 anos, Guaíra/PR
“Estava na piscina de um hotel com meu filho. Uma criança chegou e me perguntou se eu era mãe dele. Surpresa, respondi 'sim, por quê?’ A resposta: ‘Você tão branquinha e ele tão pretinho’.” Débora, 52 anos - São Paulo/SP
“Estudava em uma escola religiosa e uma professora de história iria fazer uma peça sobre o descobrimento do Brasil. Na escolha dos personagens a professora me chamou com outra menina: “Gabriella e Fulana, vocês podem ser as escravas que vão ser vendidas? A pele de vocês é moreninha, combina com as escravas da época.” - Gabriella, 17 anos - Nova Cruz/RN

“Fui indicada para um cargo de confiança em um departamento financeiro de um órgão público, mas meu currículo não tinha foto. Fui convidada para uma reunião de apresentação com minha futura chefe, onde ficou evidente a surpresa dela com minha aparência. Outra pessoa, branca, acabou contratada.” Márcia, 41 anos - São Luís/MA

“A madrinha de minha esposa organizava a festa de 15 anos da filha. Eu a levei a um salão de festas, mas a dona do local só falava comigo. Não conseguia dizer que quem queria alugar o espaço era minha amiga! Ela não deixava, não dava espaço e nem atenção a ela. Fomos embora.” João Messias, 52 anos - Rio de Janeiro/RJ

“Sou um dos professores coordenadores de um projeto de simulação das Nações Unidas em Barbacena. Neste ano, um dos comitês simulados terá o tema "Parceria Público/Privada contra o Racismo Sistêmico". Jovens de 13 a 26 anos passarão 13 horas simulando o papel de chefes de Estado e empresários com o objetivo de construírem políticas públicas. Acreditamos que a educação é a melhor ferramenta para reconstruir a sociedade a partir de relações diplomáticas, éticas e que compactuem com a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Os jovens precisam ir além do estudo e reflexão sobre racismo: soluções e ações concretas são cruciais para se construir uma sociedade mais humanizada.” - Celso Fonte, 28 anos – Barbacena/MG

“A educação me ajudou a superar o racismo: trabalhar em multinacional, cursar mestrado e doutorado, participar da embranquecida academia de management. Óbvio que nada foi fácil. Em um intervalo entre aulas no Instituto Federal de São Paulo, onde fui professora substituta por dois anos, me dei conta que eu estava à mesa com mais seis professores. Todos negros. Professores do IFSP. De altíssima competência. Todos eles. Aquela visão encheu meu coração de beleza, gratidão e acolhimento. Senti-me em casa. Pela primeira vez frequentei uma instituição na qual pude ver minha cor de fato representada.” Mônica, 52 anos – Angra dos Reis/RJ
